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Evento discute viabilidade do plantio de trigo no Estado

Lorena Bruschi / Empaer MT | Cuiabá-MT

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Mato Grosso tem potencial para cultivar trigo e abastecer o mercado interno. É o que afirmou o pesquisador e engenheiro agrônomo da Empresa de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Hortêncio Paro, no dia de campo realizado na Fazenda Sossego, no domingo (05.09), em Nova Mutum (264 km ao norte de Cuiabá). 

Com o objetivo de mostrar o potencial da exploração, discutir a viabilidade e os gargalos do trigo irrigado cultivado em propriedades acima de 400 metros de altitude, o evento contou com cerca de 200 pessoas entre extensionistas, universitários, produtores e representantes de empresas do ramo. 

Um dos motivos para o Estado se destacar na cultura é a época de colheita do nosso território. “Colhemos o trigo mais cedo que outras regiões, fazendo com que nosso produto tenha mais valor e melhor liquidez no mercado. É uma época que o país não tem trigo para entregar”, explica Paro. 

Além disso, o cultivo na região tem maior resistência a uma das doenças que assola a cultura conhecida por Brusone - praga que diminui a produtividade ocasionando a perda da espiga do trigo. 

Mato Grosso utiliza cerca de 130 mil toneladas de farinha para fabricação de pães. Ainda conforme o pesquisador, o Brasil importa cerca de 65% do trigo que consome e paga mais caro pelo grão por conta de impostos e transporte. 

Hoje apenas duas fazendas no Estado produzem comercialmente o grão para moinhos, uma em Campo Verde, com uma produção de 20 hectares, e outra em Lucas do Rio Verde com 220 hectares. 

A fazenda que aporta a Unidade Demonstrativa com 11 materiais genéticos inéditos é de propriedade do produtor Lino José Ambiel, de 59 anos. Nascido com os pés na lavoura, ele conta que começou há cinco anos a iniciativa teste do plantio irrigado como uma opção para a rotação de culturas da sua propriedade, que hoje tem áreas de soja, milho e feijão, além do experimento do trigo conduzido pela equipe da Empaer. 

Este foi o terceiro dia de campo de trigo feito nesta propriedade. Conforme Paro, o primeiro dia de campo com esta temática aconteceu em junho de 1979, na fazenda São João no município de Chapada dos Guimarães, marcando o início do seu trabalho no PróTrigo - Programa que visa estudar e divulgar o plantio de trigo em Mato Grosso. 

O dia de campo foi uma parceria entre a Empaer, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), a Fundação de Amparo à Pesquisa de Mato Grosso (Fapemat), Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado De Mato Grosso (Aprosoja), Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) e Faculdade de Medicina Veterinária (Famev/UFMT).