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Conferência busca incentivar agricultura familiar e consumo saudável

Débora Siqueira - GCOM | Cuiabá-MT

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Estabelecer o Plano Estadual de Segurança Alimentar, incentivar os 110 mil agricultores familiares, além de discutir o consumo de alimentos saudáveis são assuntos debatidos na IV Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (Cesan), que será realizado até sexta-feira (21.08), no Hotel Fazenda Mato Grosso. No final do evento será elaborada uma carta com propostas do Estado no encontro nacional de 03 a 06 de novembro, em Brasília. 

O governador Pedro Taques, que participou da abertura do evento, disse que a questão não é quanto se produz em Mato Grosso, mas a qualidade dos alimentos e os recursos para o acesso das pessoas aos alimentos. “Antes se comia quebra torto, tapioca. Temos que valorizar a agricultura familiar para evitar que continuamos a importar 80% dos nossos produtos de outros estados, além de criar novos mercados para os pequenos agricultores”. 

Taques lembrou ainda que as políticas de segurança alimentar também passa pela regularização fundiária, o acesso aos financiamentos agrícolas, além do apoio a pesquisa e extensão. “Temos assentamentos que produzem, mas falta uma política de comercialização”. 

Desde o ano passado a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), tirou o Brasil do mapa da fome. O secretário de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), Suelme Fernandes, comentou que a discussão dos investimentos e mecanismos para o combate à fome dos 3,4% da população mato-grossense que ainda estão em situação de extrema pobreza é importante. 

“Temos 110 mil famílias esperando ajuda do governo para produzir alimentos com melhor qualidade, sem que seja necessário importar alimentos de outros estados que passam por processos químicos para chegar até Mato Grosso. Produzir aqui é dar garantia de sustentabilidade de produtos saudáveis e fresquinhos”, argumentou o secretário. 

O secretário de estado de Trabalho e Assistência Social (Setas), Valdiney Arruda, diz que cabe também ao estado identificar a população que vive em situação de vulnerabilidade e construir políticas sociais de segurança alimentar. “Sabemos que indígenas, ribeirinhos, quilombolas e os vulneráveis das cidades precisam ser atingidos para evitar a fome e a desnutrição e integrar as políticas”. 

Má alimentação 

Além da falta de alimentos no prato de alguns brasileiros, um dos principais obstáculos para a alimentação adequada e saudável é o modelo de produção e distribuição do consumo. “O Brasil está caminhando na mesma direção dos Estados Unidos e do México com alimentação mais pobre, com excesso de produtos processados e por isso dizemos que isso não é comida de verdade. Não é só problema da fome, mas o que estamos comendo e o que deixando de comer”, explicou o professor doutor Renato Maluf, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Ele foi o primeiro palestrante do evento. 

Os resultados da alimentação deficiente são vistos nas unidades de saúde com o aumento da população com problemas cardiovasculares e o aumento da obesidade. Em Cuiabá, 54% da população está acima do peso. 

“Queremos chamar a atenção para recuperarmos a dimensão cultural da alimentação. Os alimentos, assim como festas e maneiras de vestir, representam a identidade cultural de uma região. Esse sistema hegemônico de alimentos importados de outros locais acaba com a diversidade. Será que Mato Grosso não tem diversidade para uma alimentação mais saudável? Essa reaproximação favorece a relação mais direta com produtores”.