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Artigo: O Pró-Limão de Mato Grosso

Pró-Limão é um dos programas de incentivo do Governo as cadeias produtivas da agricultura familiar
Suelme Fernandes | secretário de Estado de Agricultura Familiar e Assuntos Fundiários

Secretário Suelme Fernandes - Foto por: Gcom MT
Secretário Suelme Fernandes
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Em 2012, o “Projeto Rondon” levou ao distrito de União do Norte na cidade de Peixoto de Azevedo e ao município de Matupá, o trabalho do engenheiro agrônomo, pesquisador e doutor em citricultura Eduardo Fermino, Ph. D. do laboratório de biotecnologia IAPAR (Instituto Paranaense de Pesquisa e Assistência Rural), que esteve lá com objetivo iniciar um arrojado e pioneiro programa de introdução de cultivo de limão thaiti em Mato Grosso, dirigido na época pela secretaria municipal de agricultura Peixoto de Azevedo e seu gestor Valdecir Noronha (Tililin).

Após três anos de pesquisas em várias cidades da região amazônica constatou-se que as características morfológicas e de microclima davam um resultado produtivo espetacular na cultura de limão: coloração da casca uniforme e sem manchas, tamanho em diâmetro acima da média e quantidade de polpa altamente satisfatória. 

O clima do nosso estado é o grande diferencial competitivo para produção do limão Tahiti no Brasil, pois as noites quentes propiciam coloração bem verde da casca dos frutos, característica principal desta fruta. A maior parte do limão consumido em Mato Grosso é oriundo de São Paulo, cujas noites frias produzem limões com coloração amarelada. Sendo assim, os consumidores em geral das cidades do norte de MT tem a preferência pelo limão produzido aqui em detrimento ao importado.

Em 2015, Matupá e Peixoto em parceria com os produtores adquiriram 12 mil mudas e plantaram 25 hectare, apostando na lucratividade do negócio. Como resultado, toda produção desta iniciativa está sendo comercializada para uma grande rede de mercados da região, como diz na gíria da agricultura: “não tá dando pra quem quer comprar”.

Fui então ‘in locus’ conhecer esta inciativa com os técnicos da SEAF nas cidades citadas, e nessa passagem nasceu o Programa mato-grossense de apoio a cadeia do limão tahiti, denominado ‘Pró-Limão’, com a consultoria do Dr. Eduardo Firmino em cooperação técnica com IAPAR, Seaf com o reforço dos nossos técnicos Luciano Gomes Ferreira e Leonardo da Silva Ribeiro e a Empaer.

Após alguns investimentos em qualificação desta equipe e capacitações de produtores, construímos um moderno plano de difusão de tecnologia na cultura do limão tahiti através de uma PPP - parceria público privada. Os produtores selecionados adquirem as mudas e a SEAF entra com toda a assistência técnica, capacitação dos produtores, técnicos e a consultoria do Dr. Firmino.

A citricultura ainda é uma atividade pouco explorada em MT. Por exemplo, segundo o IBGE em janeiro de 2016 a área cultivada com limão era de 237 ha com rendimento de 9.345 kg/ha distribuídos em todas as regiões do Estado. Importamos mais de 90% do limão que é consumido no mercado interno, destaque para o tipo tahiti e siciliano, e agora o desafio é inverter esta lógica em médio prazo através da implantação de unidades de referências tecnológicas que irão difundir os manejos específicos da cultura do limão.

Esta semana já recebemos as primeiras 16 mil mudas do Pró-Limão vindas de São Paulo, sanitariamente uma das melhores mudas de limão do Brasil. Uma parte delas ficou no norte de Mato Grosso e outra no Vale do Rio Cuiabá, atendendo ao todo 50 produtores nos municípios de Peixoto de Azevedo, Matupá, Guarantã do Norte, Novo Mundo, Terra Nova do Norte, Nova Guarita, Cláudia, Itaúba, Cuiabá, Santo Antônio do Leverger, Chapada dos Guimarães, Rosário D´Oeste, além de Itiquira na região sul e Querência no Araguaia.

 A muda é um material genético formado pelo porta enxerto ‘Citrumelo swingle’ e a copa do IAC-5. Entre as principais vantagens deste material genético, ressalta-se que o porta enxerto apresenta tolerância as principais doenças do limão (em especial a gomose) e a copa apresenta tolerância ao vírus da tristeza, uniforme dos pomares, alta produtividade e a qualidade do fruto é incomparável.

Outra vantagem é o seu custo. A muda foi adquirida por R$ 9,5 de um viveiro credenciado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento com Certificado Fitossanitário, enquanto em qualquer viveiro daqui uma muda dessa não sai por menos de R$ 20,00.

No cultivo recomenda-se o plantio de 550 plantas por hectare num espaçamento de 6 metros entre linhas e 3 metros entre as covas. Se plantada com irrigação por gotejamento alcança uma produtividade depois do terceiro ano em média de uma caixa de limão de 20kg, alcançando até os cinco primeiros anos até 3 caixas por pé, ou seja, 60 kg.

Considerando as informações de mercado divulgadas por meio do Boletim do Prohort/CONAB/SEAF, a média de preços do limão Tahiti em 2017 no mercado de Cuiabá tem o valor de R$ 1,5 o quilo e a caixa de 20 quilos foi comercializada a R$30. Em 1,0 hectare em seu primeiro ano (550 plantas) pode alcançar na primeira colheita (terceiro ano de plantio) até R$ 16.500 e no quinto ano até R$ 50 mil, sem descontar os custos da produção (adubo, calcário, agroquímicos e mudas).

Com o aumento da produção nos anos seguintes esta receita aumenta gradativamente, devendo se estabilizar entre o oitavo e décimo ano de produção com aproximadamente 6 a 8 caixas por planta, de acordo com os cuidados com o pomar.

Com esse volume de mudas do Pró-Limão vamos incrementar mais de 30 hectares de produção em Mato Grosso melhorando o abastecimento do mercado interno, porém não podemos perder de vista as demandas de exportação, pois no ano passado, o país exportou 96,6 mil toneladas de limão in natura, 45,4% acima do volume de cinco anos atrás. 

O limão é uma planta rústica, perene, de baixa manutenção que necessita de pouca mão de obra e uma opção lucrativa para o pequeno agronegócio familiar e por isso faz parte do rol das 6 cadeias prioritárias definidas tecnicamente pela atual gestão da Seaf-MT.