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Cadeia produtiva do Pirarucu terá investimentos em 2017

Andréa Haddad e Henrique Pimenta | GcomMT e Seaf-MT

Reunião com prefeitos e deputados do norte do Araguaia - Foto por: Henrique Pimenta
Reunião com prefeitos e deputados do norte do Araguaia
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O governador Pedro Taques determinou a liberação de R$ 900 mil para fomentar a cadeia produtiva do Pirarucu na região do Vale do Araguaia, durante reunião nesta quarta-feira (01.02) com prefeitos e vereadores dos municípios de São Félix do Araguaia, Alto Boa Vista e Novo Santo Antônio, que contou com a presença dos deputados estaduais Baiano Filho e Adalto de Freitas, o Daltinho. Também participam das ações do programa Pró-Pirarucu as cidades de Luciara, Serra Nova Dourada e Canabrava do Norte. 

Conforme o secretário de Estado de Agricultura Familiar e Assuntos Fundiários, Suelme Evangelista Fernandes, o governador determinou no último ano a elaboração de uma proposta para alavancar a economia da região. “O Pirarucu é um peixe nativo do Vale do Araguaia, contudo tem uma pesca esportiva predatória e a quantidade de peixe existente não é suficiente para manter o desenvolvimento econômico da região”, explica. A alternativa é a criação da espécie em cativeiro, com a estruturação de dois laboratórios para a captura de alevinos. “Existe um laboratório que não está completamente estruturado e nós vamos investir R$ 900 mil entre capacitação, assistência técnica e abertura de tanques escavados”. 

O secretário frisa que a pesca já é uma atividade amplamente explorada na região e a produção dos alevinos vai sanar de imediato o problema principal da cadeia produtiva. “Mais adiante precisamos enfrentar a ausência de um frigorífico porque a carne está saindo in natura, do jeito que é pescada para o mercado no gelo”. Para o governador, é importante pensar na comercialização e na implantação de um frigorífico na região, para revender a produção do peixe.

Devido à pesca esportiva e à situação de extinção do Pirarucu, a proposta é totalmente voltada à sustentabilidade ambiental. “Cada peixe criado em cativeiro vai ter um chip para identificar a sequência dele para evitar que a fiscalização ache que isso é pesca predatória”, comentou Suelme. “Estivemos em Rondônia com a Embrapa conhecendo criação em tanque rede, e técnicos deste governo também foram ao Amazonas para buscar experiências e realizar o projeto”, finalizou.

O técnico da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), João Vechi, apresentou a iniciativa. “A ideia do projeto piloto no Araguaia é estruturar uma unidade de reprodução de alevinos já existente na associação dos pequenos produtores Mãe Maria em São Félix do Araguaia por meio de cooperação técnica entre Prefeituras da região, Seaf e Empaer”.

Vechi garantiu ainda que a Empaer vai alocar um técnico de Alto Boa Vista no projeto, para dar assistência técnica no laboratório e cadastrar os produtores que já criam pirarucu em tanque no norte Araguaia.

A prefeita de São Félix do Araguaia, Janailza Taveira demonstra otimismo com a iniciativa. “Este projeto será a solução econômica da nossa região. A ajuda de R$ 900 mil é essencial para a sustentabilidade da iniciativa”. Ela elogiou a parceria com o Governo do Estado. “É necessária esta ligação direta com o Governo do Estado, os secretários estão sempre nos atendendo, nunca houve dificuldade de diálogo com o governador”.     

Parceiro do projeto, o deputado estadual Baiano Filho comentou que o mercado consumidor do Pirarucu já está identificado. “A cadeia já está girando, alguns técnicos da Empaer estão dando assistência a alguns produtores, e já conversamos sobre a questão do frigorífico com o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento para auxiliar Mato Grosso com recursos”.

Pró-Pirarucu

O pirarucu é um peixe natural da bacia amazônica, que pode atingir 2,60 m de comprimento e pesar 160 kg. Prefere águas com temperatura acima de 25º, sendo o maior peixe fluvial de escama. 

O objetivo do Pró-Pirarucu é difundir tecnologias e práticas de manejo do pirarucu para criação em cativeiro e conservação da espécie no seu habitat. Após o projeto piloto, serão instaladas Unidades de Referência Tecnológica (URTs) para capacitação de piscicultores, técnicos, formação de mão de obra e divulgação da atividade em todo o Estado.

Outra vertente do projeto é a conservação da espécie em ambiente natural com o manejo de pesca nos lagos da região, envolvendo os pescadores artesanais. O objetivo é que a pesca seja controlada, evitando predação e degradação ambiental. 

Peixe do Futuro

João Vecchi afirma que o Pirarucu é chamado de peixe do futuro. “A carne é apreciada principalmente na Europa, Japão, China, país esse que já está vindo comprar em Rondônia”. Segundo ele, o preço do peixe em restaurante é altíssimo, mas para o produtor o quilo é praticamente quase o dobro do preço convencional. “Enquanto o preço convencional está a R$ 5 o quilo, o Pirarucu é pago pelo frigorífico ao produtor na base de R$ 9. É um peixe com uma velocidade de ganho de peso muito rápido, para se ter uma ideia o Pirarucu no tanque por 12 meses  vai te dar de 10 quilos a 14 quilos”.  

Participaram também da reunião o prefeito de Alto Boa Vista, Valtuir Candido, e o prefeito de Novo Santo Antônio, Adão Soares.