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Seaf e Unemat discutem oferta de cursos para agricultores familiares

A falta de capacidade de gestão e o conhecimento limitado sobre a importância do cooperativismo se tornaram grandes obstáculos ao crescimento da produção e acesso ao mercado consumidor.
Naiara Martins | Seaf-MT

A ideia é envolver a participação dos 13 campus da Unemat, ampliando a possibilidade de alcance e atendimento aos produtores. - Foto por: Lucas Diego
A ideia é envolver a participação dos 13 campus da Unemat, ampliando a possibilidade de alcance e atendimento aos produtores.
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De olho no conhecimento acumulado pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), o secretário de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), Silvano Amaral solicitou à instituição a oferta de cursos e consultorias nas áreas de Gestão e Governança das Cooperativas da Agricultura Familiar. A falta de capacidade de gestão e o conhecimento limitado sobre a importância do cooperativismo se tornaram grandes obstáculos ao crescimento da produção e no acesso ao mercado consumidor.  

A proposta envolve a oferta de orientações técnicas in loco, ligadas à administração financeira, gerenciamento, compra e venda, e na prestação de assessoria para o ordenamento contábil das cooperativas. Também será avaliado o envolvimento de professores e acadêmicos na oferta de cursos de curta duração, voltados a capacitação financeira. A ideia é envolver a participação dos 13 campus da Unemat, ampliando a possibilidade de alcance e atendimento aos produtores.  

O fomento ao cooperativismo é outra prioridade da parceria. Segundo a pró-reitora de Extensão e Cultura da Unemat, a professora Leonarda Grillo Neves, do curso de Agronomia do Campus de Cáceres, a universidade tem expertise em matéria de gestão e reúne um corpo técnico especializado, com amplo material produzido por doutores em áreas específicas como Administração, Ciências Econômicas e Ciências Contábeis. 

Para Silvano Amaral, a grande ‘sacada’ do agricultor familiar é a produção e a comercialização conjuntas, por meio do cooperativismo. “Está comprovada a necessidade de o produtor aprender a trabalhar em equipe. Na venda isolada, o agricultor perde seu poder de negociação. Juntos, os produtores conseguem negociar um maior volume de produtos, obter os melhores preços no mercado e em condições de competitividade, as possibilidades são imensas”, defendeu Silvano. 

Entre as vantagens do cooperativismo está a comercialização da produção em grande volume, garantindo maior poder de negociação; a compra de equipamentos, insumos, sementes, peças e implementos com menor preço; a possibilidade da contratação de assistência técnica; a obtenção de selos de qualidade do produto, e em alguns casos, até mesmo a certificação de exclusividade sobre determinadas produções, além da facilidade de acesso ao crédito, entre outras vantagens. 

O cooperativismo também garante ao produtor condições para a participação de licitações e concorrências públicas. A produção de alimentos para a merenda escolar é um forte exemplo da segurança jurídica dada aos cooperados. A merenda se tornou um dos principais consumidores da agricultura familiar no Brasil.

Fizeram parte das discussões para oferta de cursos o pró-reitor de Pesquisa e Pós Graduação, Anderson Fernandes de Miranda; a pró-reitora de Extensão e Cultura, Leonarda Grillo Neves, e a doutora em Agronomia, Andréa dos Santos Oliveira; o secretário adjunto de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural da Seaf, Carlos Alberto de Arruda; e o superintendente de Agricultura Familiar da Seaf, George Luiz de Lima.

Números da Agricultura Familiar

Segundo o último Censo Agropecuário realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a agricultura familiar é a base da economia de 90% dos municípios brasileiros com até 20 mil habitantes. Além disso, é responsável pela renda de 40% da população economicamente ativa do país e por mais de 70% dos brasileiros ocupados no campo. 

Em Mato Grosso, a produção familiar responde por 86,2% de toda a mandioca do estado, seguida por 89% do café e 72,5% do leite. Na frente de trabalho, o estado ocupa 76,2% do total de estabelecimentos agropecuários e 60% da mão de obra do campo. 

No Brasil, a agricultura familiar ainda é responsável pela produção de 70% do feijão brasileiro, 34% do arroz, 87% da mandioca, 46% do milho, 38% do café e 21% do trigo. O setor também domina a produção de 60% do leite, 59% do rebanho suíno, 50% das aves e 30% dos bovinos.